Ambientes de trabalho sujeitos a frio intenso ou calor extremo exigem atenção especial na escolha dos calçados de segurança. Mais do que resistência mecânica, essas operações demandam soluções que combinem isolamento térmico, conforto, estabilidade e durabilidade, sempre alinhadas às normas técnicas vigentes.

Esse é o ponto central da matéria da edição 523 da Revista CIPA & Incêndio (jan/fev 2026), que reúne especialistas, institutos técnicos e fabricantes para discutir os critérios corretos na proteção dos pés em condições térmicas severas.

Entre os temas abordados está o impacto do frio extremo sobre o corpo humano e sobre a própria operação. A exposição prolongada a baixas temperaturas pode reduzir mobilidade, precisão e tempo de permanência no posto de trabalho, além de aumentar o risco de acidentes. Um dos alertas recorrentes é que o frio atua como um anestésico, fazendo com que lesões evoluam sem dor perceptível até estágios mais graves.

Nesse contexto, Rafael Fuchs, membro do CB-032 (ABNT), presidente do CT de Estudos de Vestimentas para Baixas Temperaturas (CTEN) e diretor da Qualiflex, reforça que o uso de calçados inadequados ainda é um problema frequente em câmaras frias, frigoríficos e operações da cadeia refrigerada. Segundo ele, confiar apenas em termos comerciais como “resistente ao frio” ou em materiais volumosos, sem respaldo técnico no CA, é um erro comum.

Rafael Fuchs, Diretor de Operações da Qualiflex e especialista em proteção térmica contra o frio.

Engenharia térmica aplicada ao EPI

A matéria destaca que isolamento térmico eficaz não é resultado de um único componente, mas da engenharia correta das camadas que compõem o calçado: cabedal, forração, palmilha, solado e biqueira. A presença da marcação CI (Isolamento ao Frio) no Certificado de Aprovação é fundamental para garantir que o produto foi ensaiado conforme as exigências normativas.

É a partir desse conceito que a Qualiflex desenvolve suas soluções para frio extremo, com foco específico na cadeia refrigerada e na indústria de alimentos. Um exemplo citado é a Botina B01 (CA 40.869), projetada para operar em temperaturas de até -35 °C, quando utilizada em conjunto com as vestimentas térmicas da marca.

O modelo combina microfibra leve e impermeável, forração em lã sintética térmica, solado PU bidensidade ou PU/Látex — com boa aderência em pisos molhados, engordurados ou com gelo — e biqueira composite, que não conduz frio nem eletricidade, contribuindo para o conforto térmico nas extremidades.

Menos improviso, mais critério técnico

Ao longo do conteúdo, fica claro que a escolha correta do calçado para risco térmico começa pelo mapeamento do ambiente e da atividade, considerando temperatura, umidade, esforço físico, tipo de piso e tempo de exposição. A partir desse diagnóstico, a especificação do EPI deixa de ser um item isolado e passa a fazer parte da estratégia de segurança e eficiência operacional.

Além do desenvolvimento dos produtos, a Qualiflex atua com suporte técnico, treinamentos e orientação aplicada, ajudando empresas a reduzirem erros de especificação, improvisos e problemas recorrentes ligados ao conforto térmico e à segurança dos trabalhadores.

Em ambientes extremos, o EPI deixa de ser apenas um requisito normativo e passa a funcionar como uma extensão da própria capacidade do corpo humano de se proteger. Quando norma, engenharia e uso consciente caminham juntos, o risco diminui e a operação ganha estabilidade ao longo da jornada.

Você pode conferir a matéria completa por Carol Gonçalves na revista CIPA & Incêndio que chega às prateleiras neste mês de fevereiro.