Em Centros de Distribuição (CDs), EPI não deveria ser tratado como “compra de item”. Quando isso acontece, o resultado costuma ser previsível: cada área usa um padrão diferente, surgem improvisos, o time reclama de desconforto, o uso real cai e a operação fica mais instável — com reflexos em erros, retrabalho e rotatividade.

Para gestores de CD/Logística, o caminho mais eficiente é encarar EPI como processo operacional padronizado: com definição por atividade, reposição previsível e indicadores mínimos de controle. Este artigo traz um método prático para fazer isso sem travar a rotina do CD.

Observação importante: além de performance, EPI exige conformidade. No Brasil, a NR-6 estabelece requisitos e responsabilidades e exige que EPI tenha Certificado de Aprovação (CA) válido para uso.
Fonte oficial: NR-6 (Ministério do Trabalho e Emprego) — https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-06-atualizada-2022-1.pdf

O erro clássico: “comprar EPI” sem padronizar o uso real

O problema raramente é falta de boa intenção. É falta de método.

Quando EPI é tratado como compra, surgem sinais típicos:

  • “cada operador usa o que tem”
  • “quando acaba, pega outro”
  • “a luva boa acabou”
  • “o tamanho não serve”
  • “na câmara fria ninguém aguenta”
  • “o pessoal tira porque atrapalha”

Isso cria dois riscos simultâneos:

  1. risco de conformidade (EPI inadequado/irregular)
  2. risco operacional (execução instável, improviso e queda de padrão)

Método prático em 5 passos para padronizar EPIs no CD (sem travar a operação)

1) Mapear tarefas e ambientes (não apenas cargos)

O primeiro passo é simples e rápido: mapear o CD por zonas de execução, por exemplo:

  • docas / recebimento
  • armazenagem seca
  • picking
  • expedição
  • antecâmara
  • câmara fria

O objetivo aqui é evitar o erro de achar que “operador de CD” é uma função única. O risco e a exigência mudam conforme a área.

Entrega desse passo: lista de áreas + tarefas + principais desafios (frio, umidade, repetição, movimentação, pegada).

2) Definir “kits por atividade” (padrão mínimo)

Com o mapa em mãos, você define kits mínimos por área. Exemplo de lógica (alto nível):

  • Picking: luva com destreza + vestimenta que não trave movimento + calçado estável
  • Câmara fria: proteção térmica + luvas adequadas ao frio + proteção de extremidades + bota compatível
  • Docas: variação térmica + pegada + estabilidade em transições de piso

A regra aqui é: atividade diferente = kit diferente.

Isso reduz improviso e aumenta previsibilidade do uso.

3) Fazer um piloto curto (7 a 14 dias) com operadores reais

Antes de padronizar para o CD inteiro, rode um piloto com:

  • 1 área crítica (ex.: picking em frio)
  • 1 turno (ou uma célula)
  • um conjunto fechado de itens (não 10 variações)

O que você quer medir no piloto:

  • o operador consegue executar sem “brigar” com o EPI?
  • houve reclamação de tamanho/ajuste?
  • o uso real aumentou ou o pessoal continuou removendo?

Importante: piloto é para ajustar especificação e tamanho — não para “provar que EPI funciona”. A prova é a rotina.

4) Padronizar tamanhos e reposição (a parte que define sucesso)

Aqui é onde muitos CDs falham: o EPI até é bom, mas o processo não sustenta.

Dois pontos críticos:

Grade de tamanhos real
Sem tamanhos corretos, o operador improvisa. E improviso destrói padrão.

Reposição previsível
Se a troca é lenta, o operador aprende que “não adianta pedir”. Resultado: ele usa o que tem, mesmo inadequado.

Padronização boa é aquela que o operador não precisa “pensar” — ele só trabalha.

5) Treinar o mínimo necessário e auditar uso com critério

Treinamento de EPI em CD precisa ser:

  • rápido
  • direto
  • orientado à tarefa
  • repetível (para novos operadores)

Depois, faça auditoria simples:

  • EPI está sendo usado de forma consistente?
  • há remoção recorrente em alguma etapa?
  • existe área onde o kit “não funciona” na prática?

Auditoria não é punição. É feedback do processo.

Indicadores essenciais para o gestor acompanhar (sem virar burocracia)

Você não precisa criar um painel complexo. Para enxergar resultado, acompanhe 4 indicadores:

  1. Erros operacionais (picking incorreto / divergências)
  2. Retrabalho (reprocesso, reconferência, correção)
  3. Avarias (por volume ou por período)
  4. Turnover por área/turno (onde o desgaste é maior)

O objetivo não é “provar estatisticamente” em uma semana. É ver tendência: áreas mais padronizadas tendem a ficar mais estáveis.

Conformidade no Brasil: o básico que protege a empresa e a operação

Mesmo com foco operacional, existe uma regra que não pode ser ignorada: EPI deve ser regular e adequado, com CA válido, e as responsabilidades precisam ser cumpridas conforme a NR-6.
Fonte oficial: NR-6 (Ministério do Trabalho e Emprego) — https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-06-atualizada-2022-1.pdf

Para o gestor, isso evita dois problemas:

  • risco jurídico por uso de EPI irregular
  • risco operacional por padronização “errada” ou improvisada

Como a Qualiflex pode apoiar o seu CD

A Qualiflex atua com foco em EPIs para Câmaras Frias e Alimentos, apoiando Centros de Distribuição que precisam equilibrar proteção térmica, mobilidade e produtividade no dia a dia da operação. Na prática, isso significa ajudar sua empresa com especificação correta por atividade, padronização com reposição e consistência e orientação técnica para reduzir improvisos, erros e desgaste operacional. Se você busca uma operação mais estável — com menos retrabalho, mais aderência ao procedimento e melhor desempenho do time — fale com um especialista da Qualiflex e trate o EPI como ferramenta essencial para ganho de produtividade e redução de riscos e custos operacionais.